Etnomatemática
Introdução
Para entendermos mais sobre a Etnomatemática abordaremos um pouco de sua etimologia: etno é hoje aceito como algo muito amplo, referente ao contexto cultural, inclui considerações como linguagem, jargão, códigos de comportamento, mitos símbolos; matema é uma raiz difícil, que vai à direção de explicar, de conhecer, de entender; e tica vem sem duvida de techne, que é a mesma raiz de técnica. Assim poderíamos dizer que a Etnomatemática é a arte ou técnica de explicar, de conhecer, de entender nos diversos contextos culturais.
A Etnomatemática admite que a primeira fonte de conhecimento seja a realidade na qual estamos imersos, o conhecimento se manifesta de maneira total. Nesse ponto é importante citar que a tentativa de classificar estilos de abordagem da realidade é grega e assim matemática e como a concebemos em nosso sistema escolares resulta do pensamento grego. Vale lembrar que Pitágoras dentre varias técnicas, habilidades de praticas que ele desenvolvia e analisava encontramos as de medida, contagem, ordenação e interferência que permitiu a ele identificar o que seria a disciplina matemática e ciência matemática.
Logo trabalhará como disciplina estabelecida que vá compreender a história essencialmente de uma análise critica da geração de produção de conhecimento, da sua institucionalização e da sua transmissão. Também será abordado o processo psicoemocional de geração do conhecimento (criatividade), e o processo intelectual de sua produção, o mecanismo social de institucionalização de conhecimento (academia) e da sua transmissão (educação). Analisaremos o currículo matemático, considerações sobre etnociência e Etnomatemática da natureza metodológica e epistemológica
Etno= contexto cultural
Matema= explicar, conhecer e entender
Tica= técnica
Valores do ensino da matemática.
A matemática é ensinada de forma universalizada, ou seja, é ensinam de uma mesma forma a todas as culturas, logo encontraremos de uma forma global problemas em todos os níveis de ensino relacionado à aprendizagem dessa disciplina.
A matemática é desde os gregos, uma disciplina de foco nos sistemas educacionais e tem sido a forma de pensamento, mas estável da tradição mediterrânea que perdura até os dias de hoje, como manifestação cultural que se impôs, incontestadamente sobre as outras culturas. Enquanto nenhuma religião se universalizou, nenhuma língua se universalizou, a matemática se universalizou, deslocando todos os demais modos de quantificar, medir, ordenar, inferir e servindo de base se impondo como um modo de pensamento lógico e racional que passou a identificar apropria espécie. Podemos dizer que desde Platão, utilizamos a mesma matemática para toda a humanidade e esse tem sido o filtro para selecionar lideranças.
Matemática é universalizada, ensinada e entendida sobre os conceitos do pensamento grego.
Em todo mundo se descute sobre o futuro do ensino da matemática alguns temas abordados são:
“Matemática e desencolvolvimento”;
“Matemática para todos”
Porque se ensina matemática nas escolas de forma universalizada e com tal intensidade/
Por sua beleza intrínseca como construção lógica e formal etc.?
Por sua própria universalidade?
Porque ajuda pensar com clareza e pensar melhor?
Por ser útil como instrumentador para vida.
Por ser útil como instrumentador para o trabalho.
Por ser parte integrante de nossas raízes culturais.
Porque ajuda a pensar com clareza e raciocinar melhor.
Por sua própria universalidade.
Por sua beleza intrínseca e construção lógica, formal etc.?
Uma Proposta Alternativa.
A matemátiza revela uma forte ligação com o sistema socioeconômico. Ele é promotora de um certo modelo de poder através do conhecimento. A superioridade de quem atingiu um nível mais alto em matemática é reconhecida por todos, sendo habilidade matemática uma marca de um gênio. A matemática rege o mundo podemos dizer que tudo é matemática e que ela esta presente constantemente no nosso dia a dia.
Sem duvida o futuro está impregnado de ciência e tecnologia, a matemática a está na raiz da ciência tecnologia. Há alguns anos a revista “The Economist” publicou
Um longo artigo intitulado "Não podemos ser cidadão do século XX sem a matemática”.
Partindo desse ponto podemos compreender a importância dessa disciplina, do papel da escola e das professoras no que diz respeito à forma como estão ensinando a matemática. Será que ela realmente está fazendo a diferença na vida de nossos alunos, será que estamos construindo formando pessoas capazes de viver esse novo tempo em que se exige uma compreensão diferente da disciplina.
A proposta de autor é a criação de uma rede de monitoramento par a o rendimento escolar que produza o entendimento dos processos de aprendizagem e do conhecimento da posição matemática na vida cotidiana, com sua complexidade, atividades, experiências, propostas, necessidades, tensões e criatividade por parte dos legisladores.
Características da Etnomatemática devem ser enfatizadas
É limitada em técnicas, uma vez que se baseia em fontes restritas. Por outro lado, seu componente criativo é alto, uma vez que é livre de regras formais, obedecendo a critérios não relacionados com a situação.
É particularista, uma vez que é limitada no contexto, embora seja mais ampla que o conhecimento ad hoc oposto ao caráter universal da matemática que visa ser livre de contexto.
Opera através de metáforas e sistemas de símbolos que são relacionados psicoemocionalmente, embora a matemática opere com símbolos que são condensados de forma racional.
MÉTODO E PROGRAMA DA ETNOMATEMAICA
Programa Etnomatemática teve sua origem na busca de entender o fazer e o saber matemático de culturas periféricas e marginalizadas, tais como colonizados, indígenas e classes trabalhadoras. Remete, naturalmente, à dinâmica da evolução desses fazeres e saberes, resultante da exposição a outras culturas. Mas a cultura do conquistador e do colonizador de antanho e das classes dominantes atuais também evoluiu a partir da dinâmica de encontro. Muito antes do polêmico afro-centrismo, livros elementares já reconheciam que "[A ciência helênica] teve seu nascimento na terra dos Faraós de onde os filósofos, que ali iam se instruir com os sacerdotes egípcios trouxeram os princípios elementares." [J.Boyer: Histoire des Mathématiques, Gauthier-Villars, Paris, 1900; p.9]. O encontro cultural assim reconhecido na Antiguidade, não estava subordinado a prioridades coloniais como aquelas que se estabeleceram posteriormente.
O Programa Etnomatemática não se esgota no entender o conhecimento [saber e fazer] matemático das culturas periféricas e marginalizadas. Também o conhecimento das culturas dominantes deve ser entendido de forma muito mais geral que a simples descrição e assimilação de teorias e práticas consagradas pelo ambiente acadêmico. Deve-se entender o conhecimento, seja das culturas periféricas e marginalizadas, seja das dominantes, na complexidade do ciclo da sua geração, organização intelectual, organização social e difusão. Deve-se também levar em forte consideração a dinâmica cultural dos encontros [de indivíduos e de grupos] e a dinâmica de adaptação e reformulação que acompanha o ciclo da geração, organização intelectual, organização social e difusão do conhecimento. O Programa Etnomatemática tem, portanto, ligações com a Etnografia e a Antropologia, com a Cognição e a Lingüística, com a História e a Sociologia, com a Filosofia e a Religião, e com a Educação e a Política. Mas vêem todas essas ligações com a visão da transdisciplinaridade. O fato não se subordina às classificações disciplinares.
Etnociência
Com o termo etnociência se designa a área de conhecimento multi, inter e transdisciplinar de documentação, estudo e valorização dos conhecimentos e das práticas produzidos por um grupo cultural e transmitidos por multimeios não convencionais.
Conceituações outras de Etnociência são encontradas, tais como: etnografia de conhecimentos culturais, ciência dos conhecimentos culturais, movimento pedagógico multicultural e pluriétnico.
Com a Etnociência nasce uma nova história e uma nova historiografia dos saberes e das práticas científicas: é o advento da Etno-história. De um modo genérico, Etno-história significa a história cultural de todos os povos não europeus da humanidade: isso considerando cultura como a rede e os sistemas de crenças, valores, idéias, saberes e práticas sociais dos diferentes povos e comunidades humanas do mundo.
Com a Etnociência está inevitavelmente a questão etimológica inicial.
O prefixo ETNO procede do grego ÉTHNOS e em sua forma antiga de ÉTHOS.
Éthnos para identidade de origem e de condição, incluindo-se identidade de crenças, de valores, de símbolos, de mitos, de ritos, de morais, de língua, de códigos e de práticas. Dessa identidade se formaram as vivências e os conceitos de raça, povo, nação, classe social, corporação.
Éthos (vogal aberta) para costume, hábito. Desse prefixo nasceria, por exemplo, a palavra ETNIA.
A palavra ETNIA foi inventada por Vacher de Lapouge no final do século XIX, introduzindo a noção de etnia nas chamadas ciências sociais.
Há, também, o prefixo latino Êthos (vogal fechada) significando jeito de ser, morada habitual, talvez o moderno uso de habitus, segundo a concepção de Pierre Bourdieu: lugar do ser, território da pessoa, não geográfico mas íntimo. Desse prefixo nasceria, por exemplo, a palavra ÉTICA.
A Etnociência faz uma revisão lógica, epistemológica e metodológica de todas as ciências conhecidas.
Assim tem-se etnobiologia (etnobotânica, etnozoologia, etnoecologia, etnofarmacologia, etnopedologia...), etnohistória, etnolingüística, etnoenfermagem, etnomedicina, etnoestética, etnoantropologia, etnopedagogia, etnomusicologia, entre tantas outras possíveis subáreas.
Em todas elas, o fundamento geral tem sido o de documentar, estudar e valorizar o repertório de conhecimentos, saberes e práticas dos povos não europeus, particularmente os denominados povos tradicionais (indígenas, caboclos, ribeirinhos, seringueiros, quilombos...).
Conclusão
A etno matemática se situa numa área de transição entre a antropologia cultura e a matemática academicamente institucionalizado. Podemos dizer que ainda é uma ciência em formação.
Seu campo de estudo abre caminho a uma matemática antropológica: Arte ou técnica de explicar , de conhecer, de entender os diversos contextos culturais.
Podemos então entender a Etnomatemática como uma metodologia de e analisar processos de geração, transmissão, difusão e institucionalização do conhecimento, principalmente entender como se desenvolve o processo de aprendizagem sobre os aspectos particulares de cada cultura.
Trabalho Ralizado pelas alunas: Michele, Faby, Tati e Carol
Nenhum comentário:
Postar um comentário